sexta-feira, 10 de julho de 2015

Saldo positivo

Quando optei por trabalhar com Língua Portuguesa foi principalmente por compreender que a escrita e leitura era uma forma de inserção ativa nas próprias profundezas de cada espírito ou mente. Ler e escrever, uma necessidade tão humana quanto os próprios fluxos de pensamentos, nem sempre conscientes, nem por isso menos necessários...Assim poderia discorrer longamente sobre o conceito de escrita de texto como registro da autonomia da palavra no mundo e da leitura como necessidade enquanto ser que pensa, transcende... Mas a intenção aqui não é divagar sobre estas questões, embora a medida que escrevo os argumentos plausíveis cedem aos excessos dos devaneios poéticos, mas sim registrar o quanto é maravilhoso constatar que em plena era tecnológica, do "Cópia e Cola" temos jovens escritores se fazendo nos rudimentares banco escolares das escolas públicas. 
Enfim este texto nasceu das aprazíveis vivências de sala de aula com os alunos do 8º e 9º anos da minha escola. A cada exercício de escrita tenho me sentido leitora ávida pelos seus textos. Estão surpreendendo diariamente. Em especial esta semana minha condecoração para Juliana Soares, Vagner Campos, Débora Solano, Ana Júlia de Carvalho, Vinícios Vargas, Sandro Santos, Alice Voese,  Eduarda santos... E certamente tantos outros que nas próximas semanas prometem extasiar com o uso  sagaz da palavra enquanto mecanismo de resistência num sistema, tantas vezes arrebatador da criatividade.

domingo, 31 de maio de 2015

Basta ao dia o próprio bem



É imensamente vicioso e contagiante o fato de desperdiçarmos horas presentes com  pensamentos e preocupações risíveis, frívolas, antecipadas ou ainda pior dores passadas. Dores passadas, que independente das feridas abertas, não deveriam mais ser tão perniciosas... O fato é que, infelizmente, parece que pouco aprendemos sobre como usufruir bem os momentos presentes e ficamos eternamente presos a pensamentos inconvenientes que nos furtam os prazeres do momento. Parafraseando um versículo bíblico:..Basta ao dia o seu próprio mal, ouvi de alguém que amo e admiro...Vamos mudar isso..."Basta ao dia o seu próprio bem... Quem dera aprendêssemos a viver um dia de cada vez com todas as possibilidades de infinitude contidas no presente.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Um reconhecimento



 Uma da maiores compensações da profissão de professor, sem dúvida é a troca de conhecimentos que ocorre entre os professores e alunos. Sim, obviamente a frase até aqui está parecendo terrivelmente clichê e sentença pronta extraída dos cursos de formação pedagógica, mas quando ocorre na prática a compensação é imensurável.
 Constantemente faz parte  do cotidiano do professor impor alguns limites, negociar algumas atividades, ser peremptório em outras, sempre no intuito único de possibilitar o momento de aprendizagem para o que considera importante naquele momento do andamento do curso,
 No entanto, quando a aula além de alcançar os objetivos propostos, obtém  um clima de companheirismo, mútuo respeito e  tolerância, sorrisos espontâneos que não deturpam o ambiente de aprendizagem, reações inteligentemente sarcásticas, ironias que não denigrem, comentários, que embora repletos de contestações, rebeldias e anseios próprios de adolescentes questionadores, contribuem e servem para embasar discussões dialéticas...Bem, então estamos diante de uma turma que devemos respeitar como protagonistas de sua história,, Futuros líderes que,certamente muito contribuirão positivamente nos diversos contextos sociais, em que atuarão.
Enfim, esta pequena charla é especial pra vocês, 9º ano, continuem se superando.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Do obscuro das horas



Tudo é longínquo e irreal
O livro que acaba
o vento insistente
que traz ares de outono
Ao verão já ausente.
Ausente o tempo,
a noção de espaço
O real e o fictício,
0 concreto e o abstrato
O pulsar da vida que há tempos desvaneceu
Buscando o  antigo rítmo
de um coração que esquece de pulsar
Abruptamente lembra de respirar
Mata o silêncio das horas
embora cúmplice,
desejado e impreterível
Na sua dança mórbida
Traz o inarrável, o obscuro
 e o inconcebível.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Mal de professor

Principiando pelas palavras do mestre Jaime Caetano Braum..."Parar não é descansar porque estar parado cansa"constato há dias que sinto saudade das aulas, do barulho das crianças e jovens, dos olhares ternos e ao mesmo tempo desafiadores, das leituras dos livros e dos mundos, da convivência de trocas e aprendizagens, nem sempre tranquilas e amenas, nem por isso menos edificantes, enfim, do  controverso ambiente escolar,
 Obviamente que as férias são maravilhosas  e dedicar mais tempo aos seus é extremamente compensador e serve de inspiração,quem sabe a outro texto, mas sabe aquele terrível mal de professor, quando em diversos contextos, remete tudo à sala de aula. Exemplo: ouvindo músicas, vendo filmes ou documentários, viajando a qualquer lugar( quando o objetivo deveria ser meramente de relaxamento físico e emocional) Vem aquele comentário" Bahh!!! Tenho que trabalhar isso com meus alunos....Ao ler um livro interessante então, falta pouco pra sair compartilhando fragmentos pelas redes sociais, e quando começa a fazer teste de gramática e enviar dicas de ortografia pelo Face; e o pessoal só não responde que dê um tempo, estão de férias, por questão de boa educação, não tem mais jeito; está na hora de regressar ao embate, ou seja. o confronto do conhecimento versus ignorância, propósito de todos nós.
Assim ao fevereiro que impiedosamente nos lembra que as mordomias de féria agonizam, sejamos gratos e aprazíveis, uma vez que logo recomeçam as aulas, que mesmo relutando em admitir, necessitamos, como seres diariamente em construção.
Bem e quando professor começa a escrever textos em blog, manda  voltar pra escola, que tá na hora...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Outras vivências


Entre os prazeres das férias sempre me permiti uma obra literária mais densa e com um número mais significativo de páginas, não por considerar quantidade igual à qualidade, mas sim, pelo simples fato de usufruir maior tempo para o deleite da literatura. Assim nas últimas férias estive deliciosamente acompanhada por Raquel de Queiroz na obra Memorial de Maria Moura, um êxtase! Ainda noutra  desfrutei da grandiosidade de Quarup, de Antonio Callado. Atualmente  acabo de acompanhar a luta histórica da raça negra em busca da liberdade, no romance épico Os tambores de São Luís, de Josué Montello. Uma obra repleta de lirismo e encantamento que prende o leitor à narração intensa e inquisitiva. 
No entanto a intenção aqui não é resenhar nenhuma dessas ou outras obras literárias, poderia-se citar inúmeras, mas sim extravasar a sensação inebriante de ser capaz da Literatura, ou seja, ter sido iniciada, instruída e cativada à arte literária. Uma vez inserida nesse fascinante universo, impossível recuar, sendo que cada livro instiga a outros.  E assim, vicia. Vicia sem entorpecer, porque ao contrário, elucida , esclarece, vislumbra sempre novas e infinitas possibilidades.
Obviamente toda iniciação carece de mestres. Certamente tive o privilégio de conviver com muitos.  E se hoje escrevo para partilhar o prazer de ser leitora é com intenção de propagar a ideia e  disseminar a paixão pela literatura, objetivo e fim maior de qualquer processo educacional. Torna-se leitor aquele que conquista uma autonomia no seu eterno processo construtor de saberes e compreende que somente uma vida não basta para tantos sentimentos controversos e tantas prosas e versos... Necessita então de outras vivências, obtendo-as na Literatura.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Necessidade de escrever

Como professora de linguagem repito incontáveis vezes, que o exercício da leitura e da escrita devem ser diários e reflexivos, inerentes ás nossas próprias formulações do pensamento. Mas quantas vezes realmente nos permitimos, enquanto professores ou simplesmente cidadãos  o uso da palavra escrita? Escrever é registrar a sua palavra. A preocupação que imerge deste tema é que ao abdicarmos o registro da palavra escrita, estejamos de fato nos abstendo da condição de ser pensante e questionador,  Professor tem que antes de tudo ser um eterno estudante, escrevo e me auto corrijo. Percebo o quão parco está meu vocabulário, o quanto peco nas concordâncias, e como necessito ler e escrever muito mais.
A escrita criadora, pessoal, intransferível que nasce das leituras e das vivências e que vem reelaborada por antigos e novos raciocínios, deve ser o objetivo maior de escrever, Esta  tarefa em si deveria ser uma meta de todos que educam, que ensinam e que aprendem, num exercício constante de crescimento pessoal e intelectual, Urge a necessidade de escrevermos diante de uma era  de "cópia e cola" que está restringindo aos poucos a nossa capacidade de criação